O nosso novo entrevistado chama-se Chico da viola.
Ele é um sertanejo típico que vive na cidade de Cordisburgo
Ele tem hoje por volta de uns 35 anos mas aparenta muito mais devido ao sol forte que atinge o lugar e ao
trabalho pesado na lavoura e na tocada do gado
Chico é muito animado e adora uma boa prosa....

Oi Chico, fala um pouco do lugar onde você mora e do seu trabalho?
CHICO - Etá trem baom fala de um dos lugares mais lindos que já conheci a cidade de Cordisburgo fica no centro-norte de minas, distante,uns 120 km de Belo Horizonte por via rodoviária. Mas a partir de Curvelo são 44 km, sendo 6 km de estrada pavimentada e 38 km de estrada de terra mesmo

Chico, você mora com quem em Cordisburgo?
CHICO - Baom eu moro com a Ana Luiza que é o grande amor da minha vida...

Chico, conta pra quem não conhece a sua cidade, o que nela tem de bom pra fazer? Quais os pontos turisticos?
Ocês tem tempo para uma prosa? tem? entào eu vou contar um poco da história da cidade ...Em meados de 1883, o padre João de Santo Antônio chegou na região conhecida como Sesmaria Empoeiras ou Arraial do Saco dos Cochos como algumas pessoas dizem e, por se tratar de um lugar com paisagens exuberantes e clima agradável, o padre logo a denominou de “Vista Alegre"fincando casa no local.
Mas para fundar o seu povoado ele precisava virar dono de uma área que tava bem complicada pois as pessoas estavam brigando por ela. Para tanto, contou com a influência de Dona Policena Mascarenhas, uma senhora de posses, que, vendo a Sesmaria Empoeiras ir à praça pública, mandou seu filho Bernardo Mascarenhas arrematá-la em nome do “Irmão João”, cedendo 40 alqueires como patrimônio da igreja. A sesmaria pertencia à região do extinto Vínculo da Jaguara.
Com isso o padre João deu início à fundação do povoado de Vista Alegre, em 21 de agosto de 1883, construindo uma capela a São José. O levantamento dos esteios se deu em 14 de fevereiro de 1884, tendo sido concluída em 23 de junho de 1884. Em setembro do mesmo ano, a imagem do São José foi conduzida do Taboleiro Grande (hoje Paraopeba) para a capela pelo padre Pedro Corrêa Ferreira Rabelo e também pelos moradores dos arredores...a quem diga que foi uma procissão e tanto, todo mundo cantando com umas lamparinas nas mãos. Na mesma época, o padre João mandou vir da França uma imagem do Coração de Jesus. Quando chegou, uma procissão foi buscá-la em Gongo-Sôco e assim nasceu a idéia de construir-se uma Igreja para acolhê-la. Portanto, em 8 de março de 1886, foi levantada a primeira linha da Igreja no Arraial de Vista Alegre, que começava a ser povoado, em torno da igreja, em terrenos que o padre distribuía gratuitamente para que as pessoas construíssem suas casas.
A igreja foi construída com a ajuda de donativos e foi concluída em maio de 1894. Nesse dia, houve uma bênção na igreja e o padre João trouxe em procissão a imagem do padroeiro que tinha vindo de Paris e aguardava, na Capelinha de São José, a construção de seu templo.
Em 9 de junho de 1890, um decreto do então governador de Minas, João Pinheiro da Silva, elevou o povoado de Coração de Jesus da Vista Alegre a distrito de Cordisburgo da Vista Alegre, município de Sete Lagoas. O padre João registrou o nome Cordisburgo em homenagem ao Sagrado Coração de Jesus, pois o nome vem da mistura de cordis, do latim, que significa coração; e burgo, do alemão, que significa vila ou cidade.
O distrito foi incorporado ao município de Paraopeba, em 30 de agosto de 1911, sendo emancipado em dezembro de 1938, compreendendo os distritos sede Lagoa (Lagoa Bonita) e Traíras (Santana de Pirapama). Nessa época, já se chamava apenas Cordisburgo e, em 1948, perdeu o distrito de Santana de Pirapama e ficou subordinado à Comarca de Sete Lagoas. Anos mais tarde, o padre doou o que tinha à Matriz do Sagrado Coração de Jesus e, em 18 de outubro de 1895, à diocese de Diamantina uma área de 40 alqueires de terra, que compreendia Cordisburgo e seus arredores. Depois voltou à Macaúbas, onde faleceu em 15 de setembro de 1913. Devido à precária condição física, a matriz foi demolida, sendo finalizada sua reconstrução em 24 de junho de 1960.
Foi aqui também que nasceu um cabra muito importante que oces já devem ter ouvido falar...Guimarães Rosa mas isso eu conto depois,,,,
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142006000300003&lng=enee&nrm=iso&tlng=enee
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142006000300003&lng=enee&nrm=iso&tlng=enee

Só para voces ver olha uma foto da estação do trem...e esses ai são uns alunos da escola

Chico, voce nasceu em Minas? possui filhos ? fala pra gente um pouco do seu dia- a- dia
CHICO - nasci sim e nào há lugar mais lindo do que esse..."Não há o gente o não luar como esse do sertãoooo..."
Só quem já esteve em Minas sabe o que é isso...
Não tenho filho ainda nào tivemos um pequeno a uns 10 anos mas ele morreu de nascido...
Eu sou um homem da terra, toco viola e canto musica que sai da minha cabeça e vai para as almas das pessoas
No território Norte Mineiro entre paisagens do cerrado entremeado no sertão surgem muitas muitos causos que enveredam nas memórias dos mais velhos e fazem a identidades do sertanejo
Uma das coisas que se faz por aqui e benzer...Tem uma historia da dona Flor Maria que é benzedeira em uma cidade aiii por longe que dizia: "Chegou um velhinho na casa de senhora muito metida a rica e ele pediu uma esmola e um pouso para dormir. A senhora não quis ceder um lugarzinho para o moço. Seu marido que era um homem muito bom pediu para a mulher. Cede um lugarzinho para esse moço descansar. Então ela disse que só se fosse no chiqueiro das cabras porque esse moço está muito sujo. Depois que o moço foi deitar, a dona da casa serviu um jantar muito especial e não chamou o moço para jantar e o deixou deitado no chiqueiro. Aí aconteceu que ela se engasgou com um osso de galinha e começou a gritar pedindo socorro. Seu marido aflito sem saber o que fazer, lembrou do moço no chiqueiro e disse a ele: Moço salve minha esposa. Então ele aproximou da senhora colocou suas mãos na garganta dela e disse: Oh homem bom, mulher ma, estira e rota. Deu chiqueiro para Senhor Brás deitar. Continuou a rezar e assim foi resolvido o caso do engasgo."
entào benze é uma dessas coisas que qualquer pessoa procura quando precisa...

Chico você já pensou em deixar Minas e ir para a cidade grande? Como São Paulo?

Chico - Menina voce nào conhece muito Minas aqui é um mu
http://www.manuelzao.ufmg.br/jornal/jornal21/maquine.htm
http://www.manuelzao.ufmg.br/jornal/jornal21/maquine.htm
ndo muito grande só quem j'a viveu no grande sertão vereda sabe como é deixe me ver se eu tenho uma foto aqui nas minhas coisas da Gruta de Maquine ai você vai começar a entender o quanto é imenso esse Sertão...







Chico, em relação às pessoas que vivem no sertão que não tem muito acesso à educação, pude notar que você é muito inteligente. Você teve estudo quando criança ou só depois de muito tempo conseguiu se dedicar aos estudos?

CHICO _ Quem é que te disse que nào temos acesso a educação menina daqui de Cordisburgo saiu Guimarães Rosa quer gente mais estudada que essa...esse jovens nào conhecem nada e tiram conclusões

Chico, pode fazer um trecho de uma de suas musicas para nós?
Chico - tem muitas que a gente copia e outras que a gente copia da alma. essa é do Tonico e Tinoco esse dois cantaram em tudo que canto a musica se chama

Antiga Viola

A minha antiga viola Feita de pau de pinhero É minha eterna lembrança Do meu tempo de violeiro A saudade dos fandadngo Do meu sertão brasileiro. O recortado e catira Fais lembrá dos mutirão O xote alembro as gauchas O churrasco no galpão As moda de viola é triste Fais chorá quem tem paixão. O baião é lá do Norte Paulista é o cateretê Quando escuto Cana-Verde Alembro de Tietê Numa festa do Divino Que me encontrei com você. A valsa é uma serenata Na janela das morena O rasqueado fais lembrá O cantar das siriema Do tempo de boiadeiro Nas madrugada serena. Cantei muitos desafio Já fui cabra fandangueiro Na congada já fui rei Em todo sertão mineiro Hoje só canto a saudade Do folclore brasileiro.


Espero que vocês tenham gostado

Chico o que você pensa sobre a educação de hoje no Brasil? Você acha que temos chances de ver novos "Guimarães Rosas, Verissimos, Machados de Assis, Eças de Queiroz" surgindo por aí?

CHICO - Olhe menina deixe eu falar um pouco de Guimarães para poder responder a sua pergunta antes tem alguns escritos da ultima festa dele que eu gostaria de ler para vocês e mostrar também...
Olhe isso é um postal que tem uma fala que ele dizia muito comenta o pesoar

"Quando escrevo, repito o que já vivi antes.
E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente.
Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo
vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser
um crocodilo porque amo os grandes rios,
pois são profundos como a alma de um homem.
Na superfície são muito vivazes e claros,
mas nas profundezas são tranqüilos e escuros
como o sofrimento dos homens."

guima_rosa.gif (2444 bytes)
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João Guimarães Rosa nasceu em 27 de junho de 1908 e era o primeiro dos seis filhos de D. Francisca (Chiquitinha) Guimarães Rosa e de Florduardo Pinto Rosa, mais conhecido por "seu Fulô" comerciante, juiz-de-paz, caçador de onças e contador de estórias.
Joãozito, como era chamado, com menos de 7 anos começou a estudar francês sozinho, por conta própria. Somente com a chegada do Frei Canísio Zoetmulder, frade franciscano holandês, em março de 1917, pode iniciar-se no holandês e prosseguir os estudos de francês, agora sob a supervisão daquele frade.
Terminou o curso primário no Grupo Escolar Afonso Pena; em Belo Horizonte, para onde se mudara, antes dos 9 anos, para morar com os avós. Em Cordisburgo fora aluno da Escola Mestre Candinho. Iniciou o curso secundário no Colégio Santo Antônio, em São João del Rei, onde permaneceu por pouco tempo, em regime de internato, visto não ter conseguido adaptar-se — não suportava a comida.
De volta a Belo Horizonte matricula-se no Colégio Arnaldo, de padres alemães e, imediatamente, iniciou o estudo do alemão, que aprendeu em pouco tempo. Era um poliglota
Em 1925, matricula-se na então denominada Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais, com apenas 16 anos. Segundo um colega de turma, Dr. Ismael de Faria, no velório de um estudante vitimado pela febre amarela, em 1926, teria Guimarães Rosa dito a famosa frase: "As pessoas não morrem, ficam encantadas", que seria repetida 41 anos depois por ocasião de sua posse na Academia Brasileira de Letras.
Sua estréia nas letras se deu em 1929, ainda como estudante. Escreveu quatro contos: Caçador de camurças, Chronos Kai Anagke (título grego, significando Tempo e Destino), O mistério de Highmore Hall e Makiné para um concurso promovido pela revista O Cruzeiro. Todos os contos foram premiados e publicados com ilustrações em 1929-1930, alcançando o autor seu objetivo, que era o de ganhar a recompensa nada desprezível de cem contos de réis. Chegou a confessar, depois, que nessa época escrevia friamente, sem paixão, preso a modelos alheios.
Em 27 de junho de 1930, ao completar 22 anos, casa-se com Lígia Cabral Penna, então com apenas 16 anos, que lhe dá duas filhas: Vilma e Agnes. Dura pouco seu primeiro casamento, desfazendo-se uns poucos anos depois. Ainda em 1930, forma-se em Medicina, tendo sido o orador da turma, escolhido por aclamação pelos 35 colegas.
Guimarães Rosa, durante a Revolução Constitucionalista de 1932, trabalha como voluntário na Força Pública. Posteriormente, efetiva-se, por concurso. Em 1933, vai para Barbacena na qualidade de Oficial Médico do 9º Batalhão de Infantaria. Segundo depoimento de Mário Palmério, em seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras, o quartel pouco exigia de Guimarães Rosa – "quase que somente a revista médica rotineira, sem mais as dificultosas viagens a cavalo que eram o pão nosso da clínica em Itaguara, e solenidade ou outra, em dia cívico, quando o escolhiam para orador da corporação". Assim, sobrava-lhe tempo para dedicar-se com maior afinco ao estudo de idiomas estrangeiros; ademais, no convívio com velhos milicianos e nas demoradas pesquisas que fazia nos arquivos do quartel, o escritor teria obtido valiosas informações sobre o jaguncismo barranqueiro que até por volta de 1930 existiu na região do Rio São Francisco.
Em 1938, Guimarães Rosa é nomeado Cônsul Adjunto em Hamburgo, e segue para a Europa; lá fica conhecendo Aracy Moebius de Carvalho (Ara), que viria a ser sua segunda mulher. Durante a guerra, por várias vezes escapou da morte; ao voltar para casa, uma noite, só encontrou escombros. A superstição e o misticismo acompanhariam o escritor por toda a vida. Ele acreditava na força da lua, respeitava curandeiros, feiticeiros, a umbanda, a quimbanda e o kardecismo. Dizia que pessoas, casas e cidades possuíam fluidos positivos e negativos, que influíam nas emoções, nos sentimentos e na saúde de seres humanos e animais. Aconselhava os filhos a terem cautela e a fugirem de qualquer pessoa ou lugar que lhes causasse algum tipo de mal estar.
Embora consciente dos perigos que enfrentava, protegeu e facilitou a fuga de judeus perseguidos pelo Nazismo; nessa empresa, contou com a ajuda da mulher, D. Aracy. Em reconhecimento a essa atitude, o diplomata e sua mulher foram homenageados em Israel, em abril de 1985, com a mais alta distinção que os judeus prestam a estrangeiros: o nome do casal foi dado a um bosque que fica ao longo das encostas que dão acesso a Jerusalém.
Foi a forma encontrada pelo governo israelense para expressar sua gratidão àqueles que se arriscaram para salvar judeus perseguidos pelo Nazismo por ocasião da 2ª Guerra Mundial. Segundo D. Aracy, que compareceu a Israel por ocasião da homenagem, seu marido sempre se absteve de comentar o assunto já que tinha muito pudor de falar de si mesmo. Apenas dizia: "Se eu não lhes der o visto, vão acabar morrendo; e aí vou ter um peso em minha consciência."
Em 1942, quando o Brasil rompe com a Alemanha, Guimarães Rosa é internado em Baden-Baden, juntamente com outros compatriotas, entre os quais se encontrava o pintor pernambucano Cícero Dias, Ficam retidos durante 4 meses e são libertados em troca de diplomatas alemães. Retornando ao Brasil, após rápida passagem pelo Rio de Janeiro, o escritor segue para Bogotá, como Secretário da Embaixada, lá permanecendo até 1944. Sua estada na capital colombiana, fundada em 1538 e situada a uma altitude de 2.600 m, inspirou-lhe o conto Páramo, de cunho autobiográfico, que faz parte do livro póstumo Estas Estórias. O conto se refere à experiência de "morte parcial" vivida pelo protagonista (provavelmente o próprio autor), experiência essa induzida pela solidão, pela saudade dos seus, pelo frio, pela umidade e particularmente pela asfixia resultante da rarefação do ar (soroche – o mal das alturas).
Em dezembro de 1945 o escritor retornou ao Brasil depois de longa ausência. Dirigiu-se, inicialmente, à Fazenda Três Barras, em Paraopeba, berço da família Guimarães, então pertencente a seu amigo Dr. Pedro Barbosa e, depois, a cavalo, rumou para Cordisburgo, onde se hospedou no tradicional Argentina Hotel, mais conhecido por Hotel da Nhatina.
Em 1956, no mês de janeiro, reaparece no mercado editorial com as novelas Corpo de Baile, onde continua a experiência iniciada em Sagarana. A partir de o Corpo de Baile, a obra de Rosa - autor reconhecido como o criador de uma das vertentes da moderna linha de ficção do regionalismo brasileiro - adquire dimensões universalistas, cuja cristalização artística é atingida em Grande Sertão: Veredas, lançado em maio de 56. O terceiro livro de Guimarães Rosa, uma narrativa épica que se estende por 600 páginas, focaliza numa nova dimensão, o ambiente e a gente rude do sertão mineiro. Grande Sertão: Veredas reflete um autor de extraordinária capacidade de transmissão do seu mundo, e foi resultado de um período de dois anos de gestação e parto. A história do amor proibido de Riobaldo, o narrador, por Diadorim é o centro da narrativa. Para Renard Perez, autor de um ensaio sobre Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas, além da técnica e da linguagem surpreendentes, deve-se destacar o poder de criação do romancista, e sua aguda análise dos conflitos psicológicos presentes na história.
O lançamento de Grande Sertão: Veredas causa grande impacto no cenário literário brasileiro. O livro é traduzido para diversas línguas e seu sucesso deve-se, sobretudo, às inovações formais. Crítica e público dividem-se entre louvores apaixonados e ataques ferozes. Torna-se um sucesso comercial, além de receber três prêmios nacionais: o Machado de Assis, do Instituto Nacional do Livro; o Carmen Dolores Barbosa, de São Paulo; e o Paula Brito, do Rio de Janeiro. A publicação faz com que Guimarães Rosa seja considerado uma figura singular no panorama da literatura moderna, tornando-se um "caso" nacional. Ele encabeça a lista tríplice, composta ainda por Clarice Lispector e João Cabral de Melo Neto, como os melhores romancistas da terceira geração modernista brasileira.
Ainda que não publicasse nada até 1962, o interesse e o respeito pela obra rosiana só aumentavam, em relação à crítica e ao público. Unanimidade, o escritor recebe, em 1961, o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra. Ele começa a obter reconhecimento no exterior.
Em janeiro de 1962, assume a chefia do Serviço de Demarcação de Fronteiras, cargo que exerceria com especial empenho, tendo tomado parte ativa em momentosos casos como os do Pico da Neblina (1965) e das Sete Quedas (1966). Em 1969, em homenagem ao seu desempenho como diplomata, seu nome é dado ao pico culminante (2.150 m) da Cordilheira Curupira, situado na fronteira Brasil/Venezuela. O nome de Guimarães Rosa foi sugerido pelo Chanceler Mário Gibson Barbosa, como um reconhecimento do Itamarati àquele que, durante vários anos, foi o chefe do Serviço de Demarcação de Fronteiras da Chancelaria Brasileira.
A partir de 1958, o autor começa a apresentar problemas de saúde e estes seriam, na verdade, o prenúncio do fim próximo, tanto mais quanto, além da hipertensão arterial, o paciente reunia outros fatores de risco cardiovascular como excesso de peso, vida sedentária e, particularmente, o tabagismo. Era um tabagista contumaz e embora afirme ter abandonado o hábito, em carta dirigida ao amigo Paulo Dantas em dezembro de 1957, na foto tirada em 1966, quando recebia do governador Israel Pinheiro a Medalha da Inconfidência, aparece com um cigarro na mão esquerda.
Em 1962, é lançado Primeiras Estórias, livro que reúne 21 contos pequenos. Nos textos, as pesquisas formais características do autor, uma extrema delicadeza e o que a crítica considera "atordoante poesia".
Em maio de 1963, Guimarães Rosa candidata-se pela segunda vez à Academia Brasileira de Letras (a primeira fora em 1957, quando obtivera apenas 10 votos), na vaga deixada por João Neves da Fontoura. A eleição dá-se a 8 de agosto e desta vez é eleito por unanimidade. Mas não é marcada a data da posse, adiada sine die, somente acontecendo quatro anos depois, no dia 16 de novembro de 1967.
Três dias antes da morte o autor decidiu, depois de quatro anos de adiamento, assumir a cadeira na Academia Brasileira de Letras. Os quatro anos de adiamento eram reflexo do medo que sentia da emoção que o momento lhe causaria. Ainda que risse do pressentimento, afirmou no discurso de posse: "...a gente morre é para provar que viveu."
O escritor faz seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras com a voz embargada. Parece pressentir que algo de mal lhe aconteceria. Com efeito, três dias após a posse, em 19 de novembro de1967, ele morreria subitamente em seu apartamento em Copacabana, sozinho (a esposa fora à missa), mal tendo tempo de chamar por socorro.
Em 1967, João Guimarães Rosa seria indicado para o prêmio Nobel de Literatura. A indicação, iniciativa dos seus editores alemães, franceses e italianos, foi barrada pela morte do escritor. A obra do brasileiro havia alcançado esferas talvez até hoje desconhecidas. Quando morreu tinha 59 anos. Tinha-se dedicado à medicina, à diplomacia, e, fundamentalmente às suas crenças, descritas em sua obra literária. Fenômeno da literatura brasileira, Rosa começou a escrever aos 38 anos. O autor, com seus experimentos lingüísticos, sua técnica, seu mundo ficcional, renovou o romance brasileiro, concedendo-lhe caminhos até então inéditos. Sua obra se impôs não apenas no Brasil, mas alcançou o mundo.


Bem tudo isso só para dizes a oces que quem quer ser alguma coisa faz e pronto...mas tem que ter dedicação isso é muito importante para quem quer vencer na vida

Você já pensou em escrever um livro contando sua história, de sua cidade e as maravilhas que muitas pessoas não as conhecem?
CHICO -
Bem eu já faço isso... a minha máquina de escrever é o braço da viola e as maravilhas do Sertão saem dessa caixa e chega aos coraçoes

Chico, gostaria que você nos contasse um pouco sobre Ana Luiza, sobre esse amor que você tem por ela.
Chico, quanto tempo você ta casado com Ana Luiza? e além daquele filho que você teve e que morreu, você pretende ter outros?
CHICO -
Essa é uma his'toria pra lá de boa...eu conheci a a Ana Luiza lua do meu sertão a mais ou menos uns 25 anos eu tava correndo pelo Sertão e ela brincava de boneca em baixo de uma arvore...ela era linda, como ainda é hoje...cabelos de cachos e fitas. e vestido de roda ...sempre aparecia de vistido de roda>..Ana Luiza devia ter uns 6 ou 7 anos foi amor a primeira vista...mas ela nào olhava para mim...eu até que não era feio... bem resolvi que ia conquistar o amor daquela formosura...
Pensei, pensei e foi naquele momento que decidi que ia ser tocador de viola...pois não nasceu ainda no mundão uma mulher que resista a moda de viola...eu fui aprender a tocar com o tio Miguilin, um violeiro maravilhoso que hoje deve encantar as estrelas do seu com a sua toada...ele me ensinou tudo que eu sei e isso levou uns 5 , 6 anos entào quando eu achei que já dava para encantar a Ana Luiza fui toca umas vacas na fazenda de Nhô Lau para ganhar uns tostoes e comprar uma camisa, calça e bota nova para ir no aniversário de 12 anos da Ana Luiza
Foi uma festança pois ela faz aniversário no dia de Santo Antônio...cheguei na Festa e ela tava linda...vestido de roda e fitas vermelhas no cabelo...toda paparicada com mil cabras na volta dela (cabe lembrar que aqui no sertão as pessoas casam cedo pois assim evita de fazer besteira...
Ela nem olhou para mim foi entào que eu pedi para uma amiga dela dizer que eu tinha um presente para ela...
e quando ela chegou perto eu peguei a viola e toquei uma linda musica de amor que falava de estrelas e fitas no cabelo...
Ai foi amor mesmo...como eu disse nào tem mulher que resista a moda de viola...
a gente casou uns 5 anos depois e foi mora proximo a gruta de Maquiné...e lá a gente é a cada dia mais feliz...
Quanto aos filhos deus nos deu rafael que morreu de nascido...foi o anjo que nos abençoou e voou para o céu de lá para cá nunca mais tivemos essa sorte mas acreditamos que deus sabe o que faz e que se um dia formos dignos ele nos dará um outro anjo

Percebi que você gosta muito de música e conhece bastante sobre essas origens caipiras. Como você aprendeu a tocar, como aprendeu sobre essas origens? Como você vê a música?
Chico -
Acho que um violeiro tem a musica no sabgue só porecisa fazer jorrar...e posso dizer a musica eu nào vejo eu sinto pulsando na alma

Chico, você é uma pessoa que tem a moda de viola pulsando em suas veias, o que você acha sobre o momento da música caipira no Brasil?
CHICO -
A Musica caipira é sempre Maravilhosa,mas o quye vocês ouve nas rádio nào é musica caipira não... Cuidado pra não ser enganado

Chico, então difencie para nós as músicas que tocam no rádio, passadas como caipira, para a verdadeira música caipira.
CHICO _
é muito simples a musica do caipira é aquela que canta com a alma, com o coração nào tem público e nem plateia ós assistentes sào a lua, as estrelas e o pensamento na amada...e ná rádio não todo mundo quer ganhar algum dinheiro...essa é a diferença

Chico,quando sua viola quebra você precisa ir muito longe para conserta-lá?
CHICO -
Olhe menino minha amada quebra não...ela as vezes arranha mas não quebra algumas vezes é bem verdade uma corda parte ai a gente faz outra


Chico,como você define viver em Cordisburco?
Chico - Para encerrar a nossa prosa Cordisburgo é o Sertão...
e eu amo o sertão


ENTREVISTA ENCERRADA